quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ROBERT ENKE - A ANGÚSTIA NO MOMENTO DE VIVER

O ex-futebolista do Benfica suicidou-se quando experimentava um dos melhores períodos da sua carreira: 2009 foi o ano em que se consolidou como nº1 da Alemanha e adoptou um bebé. Mas isso não chegou para ser feliz.


"Suponho que é o meu destino que tudo na minha carreira tenha que ser estranho. Às vezes, desejava que tivesse sido um pouco mais fácil."

No final da tarde da última terça-feira, o antigo jogador do Benfica estacionou o carro a poucos metros da linha férrea, deixou a carteira no banco do passageiro e caminhou uma centena de metros junto aos carris antes de saltar para a frente de um comboio que, em Neustadtam Rubenberge, perto de Hanover, fazia, a 160Km por hora, a ligação entre Hamburgo e Bremen. O suicídio do atleta de 32 aconteceu não muito longe do cemitério onde está enterrada a sua filha e deixou incrédulo o futebol alemão com uma pergunta: porquê?

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O guarda-redes sofria de depressão e de medo de falhar [...] O psiquiatra, que tratava há seis anos o guarda-redes do Hannover96, diagnosticou-lhe uma angústia aguda perante o receio de errar

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No domingo 49mil pessoas viram-no empatar no estádio de Hannover com o Hamburgo, três dias depois 35 mil pessoas participavam num desfile fúnebre pelas ruas da cidade.

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Pensámos que conseguiríamos com amor, mas às vezes o amor não basta, disse a viúva.
Recordo dele a serenidade, a simpatia, a educação, o profissionalismo, as suas preocupações de carácter social e não só, referiu José Mourinho.

"Senti-me desajustado por causa da paixão exagerada dos adeptos e do clube. Senti-me absolutamente só e profundamente triste"
" A Lara, a minha mulher e eu sentados na cantina deserta do hospital na véspera de Natal a comer salmão com batatas"



Se Kahn e Lehmann eram loucura, Enke, ávido leitor, era delicado, a simpatia em pessoa. Uma estrela do futebol com os pés na terra, única, que ía para os treinos em Hannover de comboio, no meio dos cidadãos comuns.

in PÚBLICO,p.8, 13 nov 09

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

QUOTE#2

" Its not the loneliness that's disturbing you, it's you that are disturbing loneliness.
When you stop controlling things you're not disturbing life...therefor life doesn't disturb you. There you'll find freedom, so the problem of loneliness is solved right there."

Ajahn Brahan

Ajahn Brahm: Dharma talk on loneliness

domingo, 6 de dezembro de 2009

Explicação aos Circunstantes

Este blog é o espaço que escolhi como depositário de reflexões e pesquisas. Como, em última instância, esta pesquisa é feita com direcção um projecto a a apresentar em 2010/2011, aqui vão também figurar as minhas pesquisas que se prendem com Arte, os seus meios e linguagens, tudo o que me permita corporalizar a pesquisa primeira, sobre a solidão.

Este espaço é privado, é como uma espécie de diário de trabalho, mas parece-me, mais do que justo, enriquecedor convidar à sua leitura e interacção aqueles que me brindaram com tão generosa partilha de sua Proposta.

bem vindos e bem hajam

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

solidão é impotência

Da Solidão...

Um dia o olhar roça o espelho e surpreende uma barba imensa...
O tempo é como a barba, um leve incómodo quando ela começa a crescer, mas porque as urgências quotidianas assim o ditam, as mãos passam do coçar ao cofiar e perdemos a noção da lâmina que há meses passou pelo rosto, e calidamente pela agora eflúvia face deixamos escorrer a noite e o entendimento.

Este blog cumpre o desejo e a necessidade de reflectir e pesquisar sobre a solidão!
O que ela representa para nós? O que entendemos por SOLIDÃO, como ela se manifesta e cumpre nas nossas vidas? Como lhe respondemos, como reagimos, o que com ela e dela realizamos?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

QUOTE#1

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma...


Francisco Buarque de Hollanda